O mosteiro onde viveu Santa Rebeca

UMA PEREGRINAÇÃO AO LÍBANO 

A Irmã Rafqa nasceu em 1832 em Himlaya, aldeia maronita da montanha libanesa, a cerca de 700 metros de altitude, no centro do país. Temos poucas informações sobre sua família, pois sua aldeia foi saqueada durante os acontecimentos sangrentos que se desenrolaram no século XIX, e de maneira particular em 1860 quando se realizou o genocídio dos Cristãos, e sobretudo dos Maronitas. Sabemos, porém, que seu nome de batismo era Butrossiéh, Pedrina em português. Sua mãe faleceu quando tinha apenas sete anos. Desde a infância, esteve privada da doçura da presença materna; foi a primeira cicatriz em seu tenro coração. Viúvo, seu pai não tardou se casar de novo. Foi por isso que os anos de sua segunda infância foram duros, porque sua madrasta não lhe testemunhava o afeto de que precisava. Mas Butrossiéh se voltava para sua Mãe celestial, que se tornara também sua mãe terrestre. Esta devoção à Santíssima Virgem, aprendera de sua mãe antes que morresse. Depois de várias tentativas por parte de sua família que queria obrigá-la ao matrimônio, aos vinte e um anos, foi ao convento de Nossa Senhora do Bom Parto, em Bikfaya, que pertencia à Congregação das irmãs Mariamitas, dedicada à educação das jovens libanesas. Depois de um ano de postulante, Butrossiéh foi admitida ao noviciado em 9 de fevereiro de 1855, na festa de São Marun. Passou um ano e meio em Bikfaya, depois foi transferida para o convento de Ghazir onde funcionava o Seminário Oriental ou Seminário do Patriarcado Maronita.Ficou ali como noviça e depois como professa, por sete anos, preparando a comida para os seminaristas. Em 1860, foi transferida para Deir-El-Qamar para proporcionar a educação e formação das crianças, com outras co-irmãs e padres jesuítas. Ali, viveu o drama do genocídio dos Maronitas, ocorrido naquele mesmo ano em que os perseguidores arrancavam os meninos dos braços de suas mães, e martirizavam os maridos nos joelhos de suas mulheres, com martelos e instrumentos de tortura. Mas sua Congregação foi dissolvida, e a Ir. Rebeca encontrou- se só, sem quem a apoiasse; estava na mais completa desorientação. Por inspiração divina, dirigiu-se ao mosteiro de São Simão, na aldeia de Aitu, para se tornar monja enclausurada, depois de ser freira professora. Tinha então trinta e nove anos. Foi recebida para o noviciado no dia 12 de julho de 1871; depois, fez os votos solenes em 25 de agosto de 1873. Achava que devia ser esposa de Cristo por toda a eternidade. Sua vida nunca deixou de ser exemplar. A Irmã Rafqa se comportava bem. Nunca se queixou de nenhuma doença ou mal-estar. Tornando- se contemplativa, desejava ardentemente participar dos sofrimentos de Cristo. Seu desejo foi realizado no primeiro domingo de outubro de 1885, festa do Santo Rosário. Nesse dia, dirigiu-se a Deus pela seguinte oração: “Por que, meu Deus, afastai-Vos de mim, e por que me abandonais’? Não me visitais pela doença! Teríeis me abandonado?” Naquela noite mesmo, no momento de dormir, experimentou uma dor violenta na cabeça; depois, esta dor se propagou por sobre seus olhos. Assim começou a Paixão da irmã Rafqa, suportando atrozes sofrimentos, sem nunca se queixar. Pouco tempo depois, ficou totalmente cega. No ano de 1897, a Irmã Rafqa foi transferida com cinco outras monjas, ao convento de São José de Jrapta, recém-fundado. Ali, experimentou uma dor muito forte nas pernas, como se pontas de lança fossem enterradas nelas. Depois, o mal invadiu todo seu corpo; por estes sofrimentos, começou a emagrecer e enfraquecer gradualmente; mas sua fisionomia continuava viva e bem disposta. No fim, viveu totalmente imobilizada, e todos os seus membros estavam deslocados, desarticulados, exceto as mãos. Suportava com paciência suas dores agudas, agradecendo a Deus por seus males, abandonando- se sem reservas à Sua Santa Vontade! O sorriso nunca desapareceu de seus lábios, e a paz e a serenidade sempre permaneceram em seu coração. Por isso todas as suas co-irmãs acorriam para ajudá-la, numa ardente competição, até o dia em que entregou sua alma a Deus, no dia 23 de março de 1914. Quando era irmã mariamita, era doce, delicada, carinhosa e muito dedicada para com seus alunos. Como religiosa, era obediente, e repetia sempre: “Deus está me falando por meio das minhas superioras”. Sua castidade era perfeita, e sua modéstia e pudor atraíram todos. Tinha uma bela voz, e foi uma belíssirna moça. Religiosa e monja, conservou sua beleza, expressão da sua beleza interior. Paralítica e cega durante dezessete anos, nunca cessou de ser agradável, e sua companhia era atraente, pois sua submissão total à Divina Providência foi quase legendária. Repetia sempre: “Que a Vontade de Deus seja feita”. Ela mesmo dizia: “Se Deus desloca meus ossos e os esmaga, que Sua Vontade seja feita”. A mensagem da monja Rafqa a cada libanês, como a cada cristão, em meio a seu sofrimento, é a mensagem de paciência e submissão total à Divina Providência. O batizado, quer consagrado, quer leigo, que esta procurando Jesus Cristo sem a Cruz, vai achar a cruz sem Jesus Cristo. Santa Rebeca nos ensina que, com Cristo e por Cristo, a cruz se torna fonte de alegria e de felicidade. 
Pe. Antonio Bosco da Silva 
fonte: www.igrejamaronita.org.br (adaptado)