Uma peregrinação ao Líbano - parte 6 - Os cedros

Uma peregrinação ao Líbano - parte 6
Os Cedros 

Como a palmeira, florescerão os justos, elevar-se-ão como o cedro do Líbano. Plantados na casa do Senhor, nos átrios de nosso Deus hão de florir. Até na velhice eles darão frutos, continuarão cheios de seiva e verdejantes, para anunciarem quão justo é o Senhor, meu rochedo, e como não há nele injustiça. (Salmo 91, 13-15) Ao chegar ao País dos Cedros, o visitante pode ficar decepcionado ou mesmo entristecido ao saber que restaram apenas algumas centenas da frondosa árvore que empresta sua forma para adornar a bandeira do Líbano a ponto de tornar-se o mais conhecido símbolo da nação. Há cerca de três mil anos, porém os cedros dominavam praticamente todas as encostas das montanhas libanesas. O Egito explorava fartamente a sua madeira; as árvores eram abatidas, seus troncos amarrados em forma de balsa e transportados pela costa fenícia até o Rio Nilo. Os reis assírios também importavam largamente o precioso lenho, a tal ponto que o profeta Isaías celebra a queda de Babilônia por meio da alegria dos cedros cuja vida fora poupada: “O mundo inteiro descansa, está tranquilo; todos irrompem em gritos de celebração. Até os ciprestes e os cedros do Líbano alegraram-se por sua causa e exclamam: “Agora que fostes derrubado do poder, nenhum lenhador sobe até aqui para pôr-nos abaixo!” (Isaías 14, 7-8). O Rei Davi foi o primeiro a levar a Israel a madeira do cedro, que serviu para construir seu palácio. O Rei Salomão mais ainda, fazendo transportar quantidades incalculáveis de cedro para construção de seus palácios e do Templo de Jerusalém. A essa exploração somaram-se as guerras e ocupação humana que danificaram irreparavelmente as florestas de cedro. Embora altaneiros, fortes e belos, os cedros são de difícil semeadura e lento crescimento. Uma árvore adulta pode chegar a quase quarenta metros de altura; em geral alcança de 20 a 25 m, alguns a trinta e cinco. A largura da copa costuma ser proporcional à altura; a circunferência do tronco chega a 12m; suas raízes embrenham-se profundamente nas pedras, conferindo estabilidade à àrvore e assegurando vida longa; alguns exemplares resistem vivos por milênios. Enquanto íamos à pequena floresta de cedros próxima à região de Becharre, o guia explicou algo que me deixou muito impressionado: as famosas árvores são chamadas cedros de Deus, pela sua idade milenar e pela forma dos galhos que lembram os braços de um sacerdote erguendo as ofertas ao Altíssimo. De fato, como pude observar, os frutos, isto é, as pinhas do cedro, se formam voltadas para o alto, para o Senhor. Em nossa tradição litúrgica maronita, o cedro aparece associado a Cristo, chamado cedro glorioso e verdejante, nascido de Maria, também ela designada Cedro formoso e de delicada fragrância, cujo aroma de santidade perfumou toda a terra! (da Missa de N.Sra do Líbano) Acima da porta da entrada da Capela que fica ao pé do monumento de N. Sra do Líbano em Harissa, há uma citação bíblica em latim: Quasi cedrus exaltata sum in Líbano” (trad.: fui exaltada como o cedro no Líbano – Eclo 24,17). O passeio pela floresta de cedros impregnada de história é uma experiência quase religiosa.