UMA PEREGRINAÇÃO AO LÍBANO – PARTE 2 – OS LUGARES DE SÃO CHARBEL

OS LUGARES DE SÃO CHARBEL Bekafra – a aldeia natal de São Charbel

A casa de Nazaré! Foi o primeiro pensamento que me ocorreu quando, chegando a Bekafra, aldeia natal de São Charbel, vi a fachada da humilde casa de pedras que serviu de moradia à família de São Charbel, hoje transformada em capela e num pequeno museu, zelosamente guardados pela Ordem Libanesa Maronita, que ali mantém um convento, cujo superior nos acolheu com muito carinho. 
Uma pequena fonte de águas límpidas e refrescantes ao pé da colina onde se situa a casa convida o peregrino a se lembrar do seu batismo. Antes de entrar na casa, a bela visão da paisagem no entorno nos força a meditar nas maravilhas de Deus. O clima no interior da casa onde nasceu São Charbel sugere despojamento, pobreza e trabalho. Yussef era o último dos cinco filhos de Brígida e Antoun Makhlouf. Nascera ali em Bekafra, aos oito de maio de 1828. Seus pais haviam transmitido aos filhos o amor a Deus, com o exemplo de uma vida santa e virtuosa, dedicada ao trabalho e à oração. Sua mãe jejuava com freqüência e orava ajoelhada com os braços erguidos ao céu. À noitinha a família toda se reunia diante da imagem de Nossa Senhora, e as suas orações eram como o mais puro incenso que subia ao céu.
Por mais de vinte anos, antes de refugiar-se no mosteiro de Mayfouk, o jovem Yussef ali havia sido educado nas coisas da fé e trabalhado nas árduas ocupações para o sustento da família. Dali sairia aos vinte e três anos, sem falar a ninguém, nem mesmo à pobre e aflita mãe, para responder ao chamado do Senhor, numa longa caminhada até o mosteiro. O chamado vocacional era mais forte que os laços familiares e qualquer outro atrativo por mais nobre e honesto que fosse. Jamais voltaria a sua casa: quem quiser me seguir, tome a sua cruz a cada dia e me siga. Os pais, embora aflitos, sentiam que mais cedo ou mais tarde isso iria acontecer. Saiu sem despedir-se não só para poupar a tristeza do adeus, mas porque estava morrendo para o mundo: como a morte vem sem avisar, Yussef se considerava um morto para as coisas do mundo, não um mundo de pecado, como poderíamos facilmente pensar, mas um mundo feito de afetos verdadeiros, de ocupações prazerosas, que ele deixava porque encontrara a pérola preciosa e o tesouro no campo.