UMA PEREGRINAÇÃO AO LÍBANO - PARTE 1 - NOSSA SENHORA DO LÍBANO

Entre os dias 14 e 24 de julho, tive a graça de pisar pela primeira vez em terras libanesas. Cantado e citado dezenas de vezes na Bíblia, visitado por Jesus que se refugiava em Tiro e Sidônia, cidades ainda existentes no sul do território libanês, o Líbano sempre me atraiu. Depois de conhecer a vida de São Charbel e de outros santos libaneses, bem como a liturgia maronita, e mais ainda após a fundação de nossa paróquia em 28 de março de 2006, uma visita aos lugares santos do Líbano me pareceu muito oportuna. Decidi, pois, aceitar o convite feito reiteradas vezes por D. Edgar, nosso amado eparca, que tornou possível o sonho, com a ajuda do Frei Siluenos Chamoun, da ordem libanesa maronita, (residente no Brasil, atuando na Paróquia São Charbel de Campinas), que organizou carinhosamente a peregrinação, alternando lugares de espiritualidade e pontos turísticos. Tomei parte em um grupo de quase trinta brasileiros, a maioria dos quais descendentes de libaneses. A primeira imagem que marcou profundamente minha visão no país dos cedros foi o monumento de Nossa Senhora do Líbano, em Harissa. Para minha surpresa, ficaríamos hospedados por uns dias na Casa Betânia, a poucos metros do santuário da Virgem Maria. Era a noite do primeiro dia: a vista dos cedros rodeando o monumento da alvíssima imagem da Mãe de Cristo inundou minha alma de uma alegria simplesmente indescritível – Quem é esta que surge como a aurora, bela como a lua, brilhante como o sol, temível como um exército em ordem de batalha?(Ct 6,10) – a expressão do Cântico dos Cânticos brotou-me espontaneamente nos lábios, tão forte como o desejo de permanecer longamente naquele jardim. Contemplando aquele espetáculo espiritual, senti necessário compartilhá-lo com tantas pessoas que certamente gostariam de estar ali – era minha responsabilidade trazê-las espiritualmente aos pés da Virgem dos braços abertos acolhendo, protegendo, abençoando seus filhos. As orações da liturgia da missa de Nossa Senhora do Líbano, que expressam as verdades da fé por meio de uma beleza de imagens muito vivas, ocorriam-me espontaneamente naquele espaço sagrado. Acima da porta da capela em forma de gruta que está construída aos pés do monumento de Harissa, pode-se ler em latim “quasi cedrus exaltata sum in Líbano” (Eclo 24, 17) – fui elevada como o cedro no Líbano. O que ali se lê, ali se vê. Ao conhecer posteriormente uma floresta de cedros, o que vejo por primeiro? Sim, a Cheia de Graça representada pela simplicidade de uma alva imagem rodeada de cedros. Acolhidos, confortados e acarinhados pelos braços amorosos de Maria, tive a certeza de que a viagem seria maravilhosa e inesquecível.