Peregrinação ao Líbano – parte 5 – O MOSTEIRO DE SANTO ANTÃO DE KOZHAYA

Peregrinação ao Líbano – parte 5 
MOSTEIRO DE SANTO ANTÃO DE KOZHAYA 

20 de julho de 2015. Estávamos a caminho do Vale Kadisha, o vale santo; percorrendo as íngremes montanhas, era impossível não assustar-se diante da profundidade do vale. Podíamos imaginar as agruras enfrentadas pelos muitos cristãos que ali se refugiaram nos primeiros séculos do cristianismo, escapando às perseguições, bem como pelos monges sedentos de silêncio e dedicação total ao Senhor, que se incrustavam nas cavernas em sua busca de santidade, como pedras preciosas que iluminavam o vale. Aguardava-nos o mosteiro de Santo Antão ou Antonio, o abade. Considerado um dos mais antigos do mundo, o mosteiro de Santo Antão de Kozhaya fui fundado, segundo a tradição, por Santo Hilário, no século IV, em homenagem ao santo monge egípcio, tido por iniciador da vida monástica do Oriente. Situado a 950 m de altitude, ao norte do Líbano, no distrito de Zgharta, foi sede do patriarcado maronita no século XII e pertence atualmente à Ordem Libanesa Maronita desde 1708. A palavra siríaca kozhaya significa tesouro da vida, por causa da abundância de água e da natureza exuberante. Logo à entrada, uma imagem de Santo Antão nos dá as boas vindas, convidando-nos a pensar no único necessário. Descortina-se então uma paisagem inigualável, em que as construções rústicas do mosteiro parecem dar continuidade à majestade das montanhas. Quase que dependurada no penhasco, vê-se reconstruída uma casinha que serviu de morada para eremitas há mais de mil anos, cujo acesso se dá por íngremes escadas. Tivemos o privilégio de desfrutar da hospitalidade dos monges, que ainda nos presentearam com um momento de oração em siríaco, no interior da Igreja do mosteiro, instalada desde séculos numa gruta natural, impressionante pela suavidade das cores em contraste com a nudez das rochas. Era meio-dia, e os sinos ecoavam no vale convidando à oração e ao recolhimento. Nesse lindo mosteiro, São Nimatulah Kassab fez o seu noviciado. Entramos ainda na gruta de Santo Antão, ao lado do mosteiro, uma escura caverna onde os peregrinos se recolhem em oração até hoje. Impossível não pensar nalgumas coincidências: A festa de Santo Antão é celebrada em 17 de janeiro, dia em que nasci! Antão quer dizer Antonio, meu nome! É também um dos patronos da Igreja Maronita. Justamente nesse dia, em 2006, D. Joseph Mahfouz (+) anunciava a criação da nossa paróquia maronita de Guarulhos. Obrigado, Senhor. 

Quem foi Santo Antão? 

Antônio do Deserto ou Antão nasceu na cidade de Conam, Egito, em 251. Era o primogênito de uma família cristã de camponeses abastados e tinha apenas uma irmã. Aos vinte anos, com a morte dos pais, herdou todos os bens e a irmã para cuidar. Mas, numa missa, foi tocado pela mensagem do Evangelho em que Cristo diz a quem quer ser perfeito: "Vai, vende os teus bens, dá aos pobres e terás um tesouro nos céus. Depois, vem e me segue". Foi exatamente o que ele fez. Via na oração contínua, no trabalho, na penitência e no atendimento aos pobres e pecadores. Aos cinquenta e cinco anos, atendeu ao pedido de seus discípulos, abandonando o isolamento do deserto. Com isto, nasceu uma forma curiosa de eremitas: os discípulos viviam solitários, cada um em sua cabana, mas todos em contato e sob a direção espiritual de Antão do Egito.