A Santa Missa segundo o Rito siríaco-aramaico maronita

Comentário sobre os Santos Mistérios
A Santa Missa segundo o Rito siríaco-aramaico maronita
Os Santos Mistérios da Oferta (Qurbono)
Corbispo  Seely Beggiani
O centro e o foco dos Santos Mistérios (Santa Missa) estão na participação da Eucaristia. O Batismo e o Crisma nos iniciam na comunidade dos fiéis, mas é a Eucaristia o sustento e a razão da comunidade. Enquanto o batismo nos introduz como membros do Corpo de Cristo, a Eucaristia nos nutre com o Corpo de Cristo. Nós nos tornamos filhos adotivos de Deus Pai, e assim irmãos e irmãs no Cristo; é a Eucaristia que nos dá a capacidade de crescer, fazendo-nos parecidos com o Cristo. Pois a Eucaristia é o Santo Mistério, o qual completa o processo de iniciação do cristão.
A Eucaristia, assim como os outros mistérios (sacramentos) é uma celebração de comunhão. A salvação não é uma questão individualista. Nós somos salvos com e através dos outros. A comunidade de Cristo apóia mutuamente os seus membros. A cada celebração Eucarística, as alegrias e as tristezas, os sucessos e as falhas, os sofrimentos e os triunfos de nossos irmãos e irmãs em Cristo são experimentados em unidade. O forte vem para ajudar o fraco, o rico procura ajudar o pobre, o alegre procura ajudar o triste. Todos são impelidos pela Palavra do Evangelho, e todos os nossos sacrifícios são unidos na Eucaristia. Portanto, ir à Santa Missa Dominical não é meramente uma obrigação, mas é o verdadeiro centro do coração da Comunidade Cristã.

Influências da Liturgia Maronita 
A Igreja Maronita em sua liturgia é afortunada por ser herdeira de pelo menos duas ricas tradições: as de Edessa e de Antioquia. A Igreja de Edessa traça suas origens da pregação dos que contribuíram para sua liturgia, incluindo São Ephrem e Thiago de Saroug. A primeira conversão à Igreja de Edessa inclui os primeiros “judeu-cristãos”. Por essa razão, sua liturgia é fortemente influenciada pela visão de mundo da Bíblia. Como uma das igrejas mais velhas a se estabilizar, ela desenvolveu sua forma de oração antes de ser influenciada pelo pensamento grego. Nossa Liturgia Maronita hoje ainda tem muitos hinos e orações de São Ephrem e de Thiago de Sroug. A  Anáfora dos Doze Apóstolos (também conhecida como de Pedro III ou pela palavra siríaca “Sharrar”) a qual a Igreja Maronita tem em comum com a Igreja de Edessa, é a anáfora mais antiga da Igreja Católica, e é ainda encontrada em forma adaptada como a “Anáfora da Marca do Cálice da Sexta Feira Santa”.
A Igreja de Antioquia era a antiga Sé de Pedro e desenvolveu sua liturgia sob as influências da Igreja de Jerusalém. A “Anáfora Maronita dos Doze Apóstolos” representa a mais antiga tradição da Igreja de Antioquia. São João Crisóstomo levou esta anáfora com ele para Constantinopla e tomou-a como base da Liturgia Bizantina. Como herdeira do Patriarcado da Antioquia, a Igreja Maronita representa a Liturgia Antioquena em sua totalidade. De tal forma que a Igreja Maronita, em sua vida de oração, preserva a forma de adoração dos apóstolos e dos primeiros discípulos.

Qurbono (Quddas)
Realmente o nome Qurbono (oferta em aramaico) se encaixa muito bem, para  a Divina Liturgia. “Quddas” em árabe. O termo siríaco refere-se exatamente a idéia de “oferta” e foca-se nos atos sacrificiais do próprio Cristo, e a nossa vontade em fazer de nossas vidas uma oblação. O termo em árabe refere-se à idéia de “tornar-se santo” e também ao fato dos dons da liturgia, e por analogia de seus participantes, eles são divinizados pela ação do Espírito Santo.
Preparação dos Dons – feita antes da missa, na sacristia
A preparação dos Dons nos lembra que a liturgia é um ato de oferta de toda a comunidade. São as pessoas que trazem seu tempo, seus tesouros, seus talentos à Celebração Eucarística. O pão e o vinho são escolhidos diante dos dons para virem a se tornar o Corpo e o Sangue de Cristo. Similarmente, nossos dons e nossa intenção são à serviço de Cristo que são consagrados por intermédio da  Divina Liturgia.

Iluminação da Igreja
Antes do hino de entrada, canta-se um hino a Cristo luz, enquanto são acesas as luzes da Igreja e as velas do altar
A luz é  acessível a todos, principalmente às pessoas do nosso século. Nossa ciência moderna desmistificou o sol, o ciclo das estações e o ano solar. A invenção da eletricidade deu aos seres humanos o poder sobre a luz e as trevas. As gerações anteriores temiam o sol e a luz. Quando o dia caía numa grande escuridão cobrindo a terra, faziam então orações para que o sol viesse a iluminar e trazer seu calor novamente e assim a vida que novamente viria e os livraria do frio sem fim e da morte da terra. Nossos ancestrais tinham profunda consciência de sua total dependência da luz.
De qualquer forma, a ciência moderna também pode nos deixar conscientes da absoluta necessidade da luz em nossas vidas. A fotossíntese é essencial à vida de todos os humanos na terra. Se os humanos fossem desprovidos absolutamente de luz, ainda que por um curto espaço de tempo, eles enlouqueceriam e possivelmente morreriam. Não é acidentalmente que segundo Albert Einsten a velocidade da luz é absoluta para o Universo.
Nossa tradição de fé em Deus nos ensina que a luz foi sua primeira criação por isso é a primeira matéria do universo. Dirigimo-nos a Deus como o “Pai das Luzes”; Cristo é a Luz do mundo. A Bíblia sempre nos ensina claramente  sobre nossa escolha em viver ou no Caminho da Luz ou no Caminho das Trevas, e que a luz nos conduz à vida enquanto a escuridão nos conduz à morte. A verdadeira natureza de Cristo foi  revelada como a luz não criada na transfiguração; a luz de Cristo em sua morte destruiu a escuridão do Sheol (região dos mortos). Nosso destino imortal é apresentado no oitavo dia da criação onde o sol nunca se porá, quando nós somos chamados a ver o brilho da face do Cristo.
É por todas estas razões que a iluminação da Igreja em preparação para a Divina Liturgia tem tamanho significado. Ao participar deste ato, nós estamos proclamando nossa vivacidade de filhos da luz e permitir que nossas ações sejam julgadas em plena luz do dia. O acender das velas anuncia a presença do Cristo, luz do mundo, o qual nós acolhemos em nosso meio. A Igreja toda iluminada representa o Universo em miniatura, damos assim graças pela luz e pelo calor da criação de Deus.

Rito de preparação 
Enquanto a Divina Liturgia consiste em duas partes, a liturgia da Palavra e a liturgia da  Eucaristia, cada parte pode ser posteriormente subdividida. A liturgia da Palavra começa com um período de preparação, purificação e catequese e como uma pequena apresentação as Escrituras. 
Hino Inicial e Oração
O hino inicial costuma ser um salmo de louvor ou um hino comemorando a celebração. Enquanto é um ato de adoração, esta recitação ajuda as mentes e corações a se elevarem na contemplação das coisas sagradas. Dionísio o Areopagita, um escritor do século VI, garante que os leigos batizados são “uma ordem de contemplação” e considera os mistérios como sinais externos que nos conduzem ao poder místico. 
O celebrante serve, entra no Santuário mais à frente simbolizando a presença de Cristo no meio de Sua comunidade. O celebrante proclama-se indigno e pede as orações para que ele obtenha o perdão.
A primeira oração da Liturgia deve anunciar a festa que está sendo celebrada ou citar o tema do dia.
A saudação do Celebrante e o Hino dos Anjos
O celebrante saúda a comunidade na Igreja com a saudação da paz, a qual a assembléia responde com o hino angélico de paz. Somos lembrados de que a vida de Cristo começa com o anúncio do anjo da paz, e que a aparição de Cristo após Sua Ressurreição sempre se abre com um profundo gesto de saudação de paz. Isaías profetizou um Príncipe da Paz. Os anjos no Nascimento de Cristo proclamaram uma nova ordem mundial de paz entre Céus e Terra. Cristo anunciou que o dom da paz não é deste mundo. O Cristo Ressuscitado oferece a paz e o perdão dos pecados. O compromisso com a paz é reafirmado mais tarde na liturgia quando o gesto da paz é oferecido a cada membro da comunidade em adoração.
É apropriado que a Liturgia comece com um hino angelical, pois em nossa fé cremos que se a Divina Liturgia é celebrada na Terra, as barreiras entre Céu e Terra são removidas e os adoradores da terra se juntam à Liturgia Celeste cantada pelos anjos. 
Durante esses momentos de adoração terrena, temos a oportunidade de ser transportados misticamente para a habitação do Céu. Sendo um local santo e por participar do que é santo, estamos conscientes de que somos finitos e cheios de pecado. Na liturgia dos Santos Mistérios, estamos quase para ouvir a Sagrada Palavra de Deus e nossos corpos e almas estão à espera para “receber o Corpo e Sangue de Cristo”. Portanto, é necessário preparar e purificar a nós mesmos. Parte de nossa preparação consiste em ser catequizados de acordo com o Plano de Deus para a  Salvação e também quanto ao evento no Ano Litúrgico que nós estamos celebrando. Também buscamos expressar a dor por nossos pecados e solicitar a Misericórdia de Deus. E neste ponto, próximo do começo do Culto Divino, aproveitamos a ocasião para pedir a Deus sobre nossas necessidades.

A oração de Perdão  (Hoosoyo)
É a todos estes aspectos que a “Oração de Perdão” ou “Hoosoyo” pretende responder. O termo “Hoosoyo” em siríaco tem o significado de reconciliação ou perdão e pode também se referir ao “Misericordioso Trono de Deus”. Cristãos siríacos atribuíram este termo ao próprio Cristo.
O Hoosoyo começa com uma pequena frase que é dedicada a Deus na pessoa de Cristo. A proposta desta frase é oferecer adoração pelo proferir dos  Gloriosos Nomes de Deus. Na verdade, esta oração é reminiscente de uma oração conhecida como “dezoito bênçãos” ofertada particularmente pela Tradição Maronita na qual todos os nomes das Escrituras se aplicam a Deus como um ato de adoração (e é encontrado em muitas religiões). O peculiar da Tradição Maronita é que no caso os nomes todos são direcionadas a Cristo. Por exemplo, nesta pequena frase do Domingo da Anunciação de Maria, nós rezamos “ Que nós sejamos dignos de louvar e confessar ao Deus do Céu e da Terra, Criador, o Sustentador, o Doador da Vida. Em Seu Amor e Sabedoria Ele decidiu voltar a herança de Adão e amar Sua tenda em meio deles...” “Nesta pequena frase do Domingo da Visitação de Isabel, nós proclamamos “que sejamos dignos de louvar, confessar e glorificar o Senhor de toda eternidade que se escondeu no ventre da Virgem, nos Primeiros Dias, concebido no Templo de Maria...”
Fazendo eco ao Concílio de Nicéia que afirmava que o Verbo de Deus se faz um com o Pai, nossa Tradição Maronita desta forma, reza ao Verbo de Deus encarnado no Cristo, “o Criador, Sustentáculo, o Doador da Vida, e o Princípio dos  Dias”, títulos que nós constantemente atribuímos a Deus Pai. Talvez temos um exemplo de um antigo princípio cristão que a “lei da fé se torna a lei da oração”. Temos igualmente exemplos na história da Igreja onde o contrário também é verdade “ a lei da oração se torna a leia da fé”.
O corpo do Hoosoyo ou Sedro é divido em duas sessões. A primeira sessão é a oração de louvor às obras de Deus e Seu plano de salvação, ou uma exposição do significado da festa sendo celebrada. Esta parte normalmente se dá numa função catequética. É comum em nossa Tradição Maronita a Liturgia ser a grande mestra das pessoas, seu livro de teologia de bolso. Ao meditar no grande número de oração da Liturgia, os leigos acabaram sendo educados na fé. Na verdade nosso primeiro recurso de Teologia Maronita hoje lembra as orações dos Santos Mistérios e do Ofício Divino. Por exemplo, uma concisa apresentação do entendimento da revelação de Deus para o Maronitismo se encontra no Hoosoyo do Domingo da Anunciação de Zacarias. Ele ensina “Ó Senhor do Céu e da Terra, no passado vós falastes a vossos escolhidos através dos mensageiros e dos anjos. Adão vos ouviu andar através do jardim, e vossa voz conduziu Abraão para uma nova e estranha terra. Moisés vos viu na nuvem e numa coluna de fogo. Vossas misteriosas palavras apareceram na parede, traçadas por uma mão desconhecida. Através destes meios vós preparastes um caminho reto para o final revelador de teu mistério. Vós falastes, ainda não tendo boca. Não tivestes pés e ainda assim o conduzistes. Nunca conhecestes o pecado, mas és infinito em vossa Misericórdia com as pecadores.”
A última sessão do Hoosoyo consiste numa série de ladainhas de pedidos. De fato, o termo “Sedro” em siríaco significa: “série, ordem ou ‘falange’ (usada da origem grega “φάλαγξ”, em grego moderno: “φάλαγγα, lê-se phālanga e refere-se a organização de uma tropa para combate)
Desde que Deus fez aliança com Seu povo no passado, nós imploramos a Ele que continue sua generosidade. Um exemplo é esta ladainha de pedidos encontrada no Hoosoyo da Quarta Feira em memória da Virgem Maria. Reza-se “Ó Senhor, através das orações de vossa mãe, afastai para longe da Terra e de seu povo, o flagelo do calor, eliminai os perigos e distúrbios; removei os perigos e a violência, removei a guerra, o cativeiro, a fome e afastai-os de nós. Tende compaixão de nós; nós estamos fracos, confortai-nos; estamos doentes, assisti-nos; estamos com necessidades, livrai-nos; estamos oprimidos, concedei descanso aos fiéis falecidos e dai-nos alcançar uma morte feliz...”.
Durante a oração do Hoosoyo o incenso é queimado. O celebrante ou o diácono incensa as pessoas, o interior da Igreja para que todos possam ser purificados em preparação para a leitura da Palavra de Deus. O queimar do incenso é um  poderoso símbolo. O incenso representa algo precioso assim como o doce incenso é queimado e consumido. Neste momento representa o sacrifício, o ato de render-se por amor a uma proposta maior. Por isso Cristo, os mártires e todos os que entregam suas vidas ao próximo são incensos vivos. O queimar do incenso no Hoosoyo dá o tom da Liturgia. Simboliza o sacrifício de Cristo que nos liberta dos nossos pecados. Na participação do queimar do incenso, nós buscamos, primeiro de tudo, a purificação e o perdão. Também imploramos que nossas vidas sejam consumidas em boas obras que nós possamos nos tornar uma agradável oferta a Deus.
A comunidade responde ao Hoosoyo com um canto, um hino ou um salmo (Qolo) apropriado ao tema da festa que está sendo celebrada. O celebrante então resume o Hoosoyo cantando a oração final do incenso ( Etro) .

Liturgia da Palavra
O Hino do “Três Vezes Santo” (Triságio) 
Com a assembléia purificada e num estado de forte oração, é o momento de saudar a entrada da Palavra de Deus. O antigo hino que louva a Deus como o Deus, o Forte e o Imortal é cantado três vezes. Enquanto outras tradições se referiam este hino à Santíssima Trindade, a Tradição Maronita aqui afirma todos os atributos de Deus ao Verbo que se faz Carne em Cristo.  Em sua origem, este hino celebrou a procissão da Palavra em preparação para sua leitura, sendo o momento oportuno para a assembléia se preparar. A oração que segue o Triságio é um pedido a Deus para a santificação e purificação das mentes e dos corações que estão já prontos para ouvir as leituras da Sagrada Escritura.
A leitura das Sagradas Escrituras
A comunidade cristã de fé se fundamenta na escuta da Palavra de Deus. Foi a pregação de Cristo que formou os primeiros discípulos. Foi através da pregação dos apóstolos que a Igreja Cristã se deu e se espalhou de forma muito grande no mundo. As Sagradas Escrituras são a continuação da pregação, da formação e do sustento de novos cristãos através dos séculos. As Escrituras são verdadeiramente “ O Deus Vivo em Palavra”, entre nós. Durante o Ano Litúrgico toda a Bíblia é lida como um culto aos Santos Mistérios e ao Ofício Divino. Nós temos a oportunidade de ser instruídos pelo Divino Mestre e meditar em Suas Palavras de Vida.
A assembléia introduz e responde as leituras das Escrituras com versos salmodiados (Mazmooro) e com o cântico do Aleluia.
O celebrante conclui a liturgia da Palavra oferecendo em louvor e ação de graças a Jesus Cristo por Sua Palavra de Vida para nós.
Nos tempos antigos, era neste momento que aqueles que não estavam preparados para a liturgia da Eucaristia deixavam o lugar da adoração. Entre eles incluem-se os catecúmenos e pecadores públicos que não tinham recebido o perdão. Esta prática lembra-nos o grau de validade que nós devíamos alcançar quando buscamos participar da Celebração Eucarística.

A Pré - Anáfora
O Credo
Antes de começar a oração Eucarística, a comunidade reunida faz a profissão de fé. A fé é feita de muitos elementos. No nível mais fundamental, a fé é um encontro com Deus e nossa definitiva resposta dada de coração e de mente a Deus no amor. Ela cria uma relação pessoal entre o crente e Deus. Na fé nós escolhemos ver Deus, o mundo e nós mesmos aos olhos de Cristo. Nós escolhemos fazer Sua vontade, Suas propriedades, e Seus valores nossos valores. Para que se chegue a um entendimento de nosso compromisso de fé, para definir quem somos como comunidade, e para articular nossa fé para nós mesmos e os outros, torna-se necessário expressar nossa fé interna de forma externa em uma série de crenças e doutrinas. 

Na Igreja Primitiva, quando havia muitas conversões de adultos, candidatos ao batismo eram chamados a confessar sua fé publicamente. Fórmulas concisas de fé ou credos foram desenvolvidos com este fim. No primeiro Concílio Ecumênico de Nicéia em 325, um credo foi escrito para expressar as maiores crenças da Igreja naquele tempo. No séc. VI, o Credo Niceno foi incorporado à Divina Liturgia.

Ao recitar o Credo Niceno nós afirmamos que fazemos parte da Tradição Cristã, que somos preparados para integrar aquela Tradição em nossas vidas e ações. Também afirmamos que a Eucaristia a qual estamos para receber é um sinal de unidade com a fé dos apóstolos e com nossos irmãos de fé.
Desde que o Credo foi inserido na Divina Liturgia há muito tempo atrás, seu lugar exato na pré-anáfora não é tão claro. A Igreja Latina o coloca no começo, enquanto as Igrejas Orientais o colocam depois da oferta dos dons.  A Igreja Maronita quis seguir a prática de Roma.

A procissão dos dons
O vinho e pão são levados em procissão para significar que eles estão sendo ofertados por toda a comunidade. Eles simbolizam nossa prontidão em oferecer todos os dons que nós recebemos de Deus – nossa riqueza, inteligência, nossas habilidades, nossos talentos, nosso tesouro, nossa vida em si - para o Seu culto. A coleção tirada do Culto Divino representa um doar-se mais adiante para o trabalho da Igreja como Ela busca estabelecer o Reino de Deus.

A procissão dos dons também nos lembra que na época da Bíblia, os primeiros frutos eram ofertados a Deus. Em outras palavras, nós reconhecemos que tudo que temos provém de Deus e Ele tem o direito às nossas melhores realizações. Nós também reconhecemos que o pão e vinho levados em procissão vão logo conter a mais verdadeira realidade do Próprio Cristo.
Aceitação das ofertas
Representando a Igreja, o celebrante aceita as ofertas dos fiéis. Desde que nossas ofertas signifiquem nosso desejo de alcançar a Deus, e nós rezemos que Deus nos alcance e aceite, elas devem ser sinceras e representar nossas intenções internas. Escritores espiritualizados nos lembram que a Bíblia começa com a história de Caim e Abel, Deus acolheu aqueles que vieram a Ele com honesta intenção, e negou as ofertas dos que não eram sinceros. Os profetas constantemente nos alertaram que a verdadeira adoração não é uma questão externa, mas começa com a pureza do coração.

A oração ofertada pelo celebrante também nos relembra que nossa generosidade sempre é excedida pela generosidade de Deus. É concluída pela oração “em troca destes bens perecíveis, dai-os os dom da vida e a entrada em vosso reino”.
Comemorações
Em cada Culto Divino, é toda a Igreja, o Corpo Místico de Cristo que está em adoração. Nesta oração nós nos relembramos que nossa existência como comunidade redimida é devida ao Plano de Salvação de Deus em Jesus Cristo. Junto a nós estão unidos em total comunhão os santos todos de Adão até o do tempo presente, e a Benditíssima Virgem Maria que é especialmente lembrada. Nós relembramos aqueles que se foram antes de nós, nós pedimos a Deus para nos lembrar dos nossos mortes e se lembrar de nós, os vivos, aqueles que estão presente no Culto Divino e aqueles que não puderam estar.
Incensação 
Com os dons colocados no altar, o celebrante incensa os dons, o altar e os fiéis novamente para simbolizar a purificação. Nós rezamos para que os dons e especialmente, nós mesmos, possamos estar dignos de participar deste Sacrifício.